Você sabia que o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de casos de burnout, atrás apenas do Japão? Segundo levantamento da International Stress Management Association (ISMA-BR) em parceria com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros apresentam algum grau da síndrome.
Esse dado por si só já preocupa. Mas há um recorte que interessa diretamente a quem lidera pessoas: os mais afetados não são necessariamente os profissionais mais experientes. São, cada vez mais, os colaboradores no início de carreira, aqueles que ainda estão aprendendo a lidar com prazos, hierarquias e a própria identidade profissional.
Para empresas que contratam estagiários e aprendizes, entender o burnout deixou de ser um diferencial de RH. Com a atualização da Norma Regulamentadora NR-1, o gerenciamento de riscos psicossociais como burnout, assédio e sobrecarga, passou a ser uma exigência legal. Ou seja, cuidar da saúde mental da equipe agora é, também, uma questão de conformidade.
Neste artigo, você vai entender o que é o burnout segundo a definição oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), por que os profissionais mais jovens estão no centro dessa estatística, quais sinais sua liderança não pode ignorar e, principalmente, como estruturar um apoio real, antes que o esgotamento se instale.
O que é burnout, segundo a Organização Mundial da Saúde
Desde 1º de janeiro de 2022, o burnout é reconhecido pela OMS na 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID-11), sob o código QD85, dentro da categoria “problemas associados ao emprego ou desemprego”. No Brasil, essa classificação passou a valer oficialmente a partir de 2025.
A definição da OMS é direta: burnout é uma síndrome resultante do estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. Ele se manifesta em três dimensões:
- Exaustão: sensação de esgotamento físico e mental que não melhora com o descanso habitual.
- Distanciamento mental: cinismo, negativismo ou desconexão em relação ao próprio trabalho.
- Queda de eficácia: sensação de baixa produtividade, acompanhada de culpa.
Um ponto importante. A própria OMS reforça que o burnout é um fenômeno ocupacional, não um traço de personalidade ou uma “fraqueza” do colaborador. Isso muda completamente a forma como as empresas devem tratar o tema, a responsabilidade pela prevenção é, antes de tudo, organizacional.
Burnout no Brasil: o retrato que toda liderança deveria conhecer
Os números recentes mostram a urgência do tema:
- 72% dos trabalhadores brasileiros relatam algum nível de estresse relacionado ao trabalho, segundo a ISMA-BR.
- Em 2024, o Brasil registrou um recorde de 472.328 licenças médicas por questões psicológicas, alta de 68% em relação ao ano anterior, conforme dados do Ministério da Previdência Social.
- Em 2025, mais de 546 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais, segundo o mesmo Ministério, o equivalente a lotar o Maracanã mais de seis vezes;
- Globalmente, a perda de produtividade ligada a transtornos mentais já custa cerca de US$ 1 trilhão por ano, de acordo com a OMS.
Esses afastamentos não são um problema isolado de saúde individual. Eles representam custo direto com substituição de pessoal, queda de produtividade e perda de conhecimento institucional, especialmente quando o colaborador afastado está em uma fase decisiva de formação profissional.
Por que os mais jovens estão entre os mais afetados
Pesquisas recentes apontam um padrão consistente: a geração que mais relata sofrimento psicológico no trabalho é também a que está entrando agora no mercado.
- Segundo a Harvard Business Review (2022), 50% dos profissionais da Geração Z afirmam que suas experiências de trabalho afetam sua saúde mental e 75% querem ver mais apoio das organizações.
- A pesquisa GPTW de 2024 mostrou que, pela primeira vez em sua série histórica, a saúde mental se tornou o principal desafio da gestão de pessoas, citada por 36,9% das empresas. Quase a totalidade (96,9%) considera o tema importante, mas menos da metade (47,2%) investe efetivamente em ações para tratá-lo.
- Estudos acadêmicos sobre jovens em busca da primeira oportunidade relatam um padrão recorrente: ansiedade e desgaste emocional diante de rotinas exigentes, baixa previsibilidade e redes de apoio ainda incipientes neste início de trajetória.
Faz sentido. O primeiro emprego, o primeiro estágio, o primeiro contrato de aprendizagem são também os primeiros contatos com pressão por resultado, hierarquia formal e jornada estruturada. Sem orientação adequada nesse momento, o risco de esgotamento precoce aumenta e pode comprometer toda a relação do jovem com o mundo do trabalho.
Os sinais de burnout que sua empresa não pode ignorar
Identificar o esgotamento profissional cedo é a diferença entre um ajuste simples e um afastamento prolongado. Fique atento a três grupos de sinais:
Sinais físicos
- Fadiga constante, mesmo após dias de descanso
- Dores de cabeça, tensão muscular e distúrbios do sono
- Queda de imunidade, com adoecimentos frequentes
Sinais emocionais
- Irritabilidade ou apatia fora do padrão habitual
- Sentimento de ineficácia e culpa recorrente
- Cinismo ou distanciamento em relação às tarefas e à equipe
Sinais comportamentais e de desempenho
- Queda na qualidade do trabalho sem explicação aparente
- Isolamento social, faltas e atrasos crescentes
- Dificuldade de concentração e tomada de decisão
Em colaboradores no início de carreira, esses sinais costumam aparecer de forma mais sutil, muitas vezes confundidos com “falta de adaptação” ou “imaturidade profissional”. Por isso, a presença de uma liderança ou de um suporte próximo, treinado para reconhecer esses sinais, faz toda a diferença.
Como oferecer apoio real aos colaboradores em esgotamento
Identificar é o primeiro passo. Agir é o que realmente protege as pessoas e o negócio. Algumas práticas que fazem diferença:
- Treine lideranças para escuta ativa. Gestores são, na maioria das vezes, os primeiros a perceber mudanças de comportamento na equipe.
- Revise a carga de trabalho com regularidade. Metas inalcançáveis e jornadas elásticas são, segundo pesquisas, uma das principais causas de burnout no Brasil.
- Estruture canais de apoio psicológico, sejam internos ou via parcerias, sem estigma associado ao uso.
- Cumpra a NR-1 na prática, mapeando riscos psicossociais como parte da gestão de saúde e segurança, não apenas como obrigação documental.
- Crie rituais de pausa e desconexão, reforçando que produtividade sustentável não é sinônimo de disponibilidade constante.
- Acompanhe de perto quem está em início de carreira. Mentoria, supervisão estruturada e checkpoints frequentes reduzem significativamente a sensação de desamparo nos primeiros meses de trabalho.
O que a experiência com jovens em início de carreira nos ensina
Podemos tirar uma lição valiosa de programas de Jovem Aprendiz e Estágio bem estruturados. Neles, o apoio não é um plano de contingência para quando o esgotamento já apareceu, mas sim parte do desenho do programa desde o primeiro dia.
Acompanhamento psicopedagógico, assistência social e supervisão próxima durante todo o contrato existem porque entrar no mercado de trabalho é, para um jovem, um momento de alta vulnerabilidade emocional e cuidar disso desde o início previne exatamente o tipo de esgotamento que, mais tarde, se tornaria um afastamento custoso para a empresa.
É um modelo que qualquer organização pode aplicar em qualquer nível hierárquico, baseado em uma prevenção construída na estrutura, não improvisada na crise.
Conclusão: cuidar é também uma estratégia de negócio
O burnout deixou de ser um tema de bem-estar corporativo “bonito de se ter” e passou a ser uma questão de saúde ocupacional reconhecida pela OMS, regulada pela NR-1 e medida em afastamentos que custam tempo, dinheiro e talento. E os dados mostram que os profissionais mais jovens, justamente aqueles em quem as empresas mais investem para o futuro, estão entre os mais vulneráveis.
Reconhecer os sinais de exaustão, distanciamento e queda de desempenho é o primeiro passo. Mas a verdadeira proteção vem de programas estruturados, com acompanhamento humano desde a entrada do colaborador na empresa, especialmente quando esse colaborador está vivendo seu primeiro contato com o mundo profissional.
Sua empresa já tem essa estrutura de apoio para quem está começando a carreira?
Se a resposta for “ainda não” ou “não temos certeza”, a INTEGRAR-RS pode ajudar. Há 20 anos estruturamos programas de jovem aprendiz e estágio regulamentados e com acompanhamento psicopedagógico e assistência social inclusos, para que sua empresa construa talento sem abrir mão da saúde mental de quem está chegando. Fale com nossos especialistas e conheça nossas soluções.




