Como preparar jovens para o mercado de trabalho desde cedo: O que as empresas precisam saber

Imagine contratar um jovem recém-formado e perceber que, apesar do diploma, ele nunca participou de uma reunião profissional, nunca precisou cumprir prazos de verdade nem trabalhar em equipe sob pressão. A formação estava lá. A prática, não.

Esse cenário é mais comum do que parece e o prejuízo é de todos.

Segundo a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), apenas 55% dos recém-formados empregados trabalham na área de formação. Isso não significa que o ensino superior falhou. Significa que a ponte entre sala de aula e mercado ainda está sendo construída e as empresas têm um papel central nessa obra.

O retrato atual: avanço real, desafio persistente

O Brasil avançou. A quantidade de jovens entre 14 e 24 anos fora do mercado de trabalho caiu de 25,2% para 14,3% entre o quarto trimestre de 2019 e o último trimestre de 2024, segundo levantamento do Ministério do Trabalho. Uma redução de quase 2,5 milhões de jovens.

Mas os números também revelam o que ainda precisa mudar.

Dentre os diversos desafios enfrentados pelos jovens no mercado de trabalho, destacam-se a falta de experiência profissional, a defasagem na qualificação técnica e a desigualdade de acesso à educação de qualidade. Mais de 40% dos jovens de 18 a 29 anos estavam concentrados em ocupações de baixa remuneração, pouca qualificação e alta rotatividade no 4º trimestre de 2024, de acordo com dados do IBRE/FGV baseados na PNAD Contínua.

A pesquisa do MTE também revelou que a busca por melhores oportunidades e salários mais altos foi o principal motivo para que um terço dos jovens pedisse demissão em 2024.

A questão não é emprego. É qualidade da inserção.

A lacuna que as empresas precisam ver

A desconexão entre a formação acadêmica oferecida aos jovens e as reais demandas do mercado de trabalho é um dos principais entraves. Essa disparidade se evidencia na falta de profissionais qualificados, como em áreas como Tecnologia da Informação, onde o déficit de talentos reflete a necessidade de um alinhamento mais preciso entre o que se aprende nas escolas e as habilidades exigidas pelas empresas, segundo o Banco Mundial.

Muitos jovens concluem a educação formal sem ter desenvolvido habilidades práticas, dificultando sua entrada no mercado de trabalho.

Isso não é culpa dos jovens,é uma consequência estrutural de um modelo educacional que ainda separa o “aprender” do “fazer”.

E é exatamente aí que entra a oportunidade para as empresas.

Por que empresas que investem cedo saem na frente

Organizações que se envolvem ativamente na formação de jovens por meio de programas de aprendizagem, estágio, mentorias ou parcerias com escolas colhem vantagens efetivas:

  • Formam profissionais alinhados à sua cultura desde o início da trajetória
  • Reduzem o tempo e o custo de onboarding de novos talentos
  • Fortalecem sua reputação como empresa que acredita em pessoas
  • Constroem um pipeline consistente de candidatos para posições futuras

Para as empresas, a iniciativa representa a chance de moldar profissionais alinhados às suas necessidades, além de fortalecer sua imagem como socialmente responsáveis, em conformidade com os princípios ESG.

E os números crescem: em 2023, foram registrados 624 mil estagiários, número que saltou para 990 mil apenas no primeiro bimestre de 2025. No caso da aprendizagem, novembro de 2024 marcou o maior patamar já registrado, com 637.509 jovens contratados sob a Lei da Aprendizagem nº 10.097, segundo o MTE.

O mercado está se movendo. A pergunta é: a sua empresa está junto?

O que funciona na prática: formação com propósito

Não existe fórmula única, mas existem caminhos que funcionam quando aplicados com intenção. Veja o que faz diferença:

1. Aproximação com o ambiente corporativo Visitas técnicas, job shadowing e participação em projetos reais tiram os jovens da teoria e os colocam em contato com decisões, prazos e resultados concretos.

2. Mentoria estruturada Ter um profissional experiente como referência acelera o desenvolvimento de comportamentos e competências que o currículo escolar raramente aborda, como comunicação assertiva, gestão de tempo e postura profissional.

3. Programas jovem aprendiz  e estágio com acompanhamento Não basta contratar. Empresas que criam estrutura de desenvolvimento para esses jovens, com feedbacks regulares e metas claras, têm resultados muito superiores em retenção e desempenho.

4. Parceria com iniciativas de formação profissional Apoiar, patrocinar ou cocriar programas com organizações especializadas em desenvolvimento de jovens permite que a empresa ganhe escala e impacto sem precisar estruturar tudo internamente.

O papel das empresas vai além da contratação

A universidade nem sempre articula a vida acadêmica dos seus universitários e a futura experiência profissional desde o ingresso, com a intenção de prepará-los não só tecnicamente, mas também em termos comportamentais, para o mercado de trabalho, aponta estudo publicado na SciELO Brasil.

Essa lacuna não será resolvida apenas pela escola, ela exige que o setor produtivo assuma um papel ativo: como parceiro, como facilitador, como destino de aprendizado.

Empresas que percebem isso não estão apenas sendo generosas, estão sendo estratégicas.

Conclusão: formação e prática juntas, desde cedo

O jovem que chega ao mercado de trabalho sem experiência prática não é um problema, é uma oportunidade não aproveitada.

Quando formação e prática caminham juntas desde cedo, todos ganham: o jovem ganha direção e confiança; a empresa ganha um profissional mais preparado e engajado; e a sociedade ganha uma geração com capacidade real de transformar.

A INTEGRAR-RS acredita exatamente nisso. Trabalhamos para construir essa ponte entre educação e mercado e convidamos as empresas a fazer parte dessa construção.

Quer entender como a sua empresa pode se envolver nesse processo? Entre em contato com a INTEGRAR-RS e descubra as iniciativas que já estão transformando a trajetória de jovens na nossa região.

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